Raio-X

Resgate histórico das mulheres de computação@ufcg

Sobre

A ideia geral do projeto é o desenvolvimento de um ambiente web para mostrar informações sobre a participação das mulheres no curso de Bacharelado em Ciência da Computação da Universidade Federal de Campina Grande (UFCG). No contexto do Andromedev, foi desenvolvido visualizações de dados acadêmicos provenientes do controle acadêmico.
O Raio-X é um estudo que permite conhecer um pouco sobre a participação das mulheres no curso ao longo da sua história. Para tal, foi utilizado os dados acadêmicos disponibilizados pela UFCG a partir de 2000, quando temos dados mais completos, é importante ressaltar que os alunos reincidentes não foram desconsiderados nas análises.

Raio-X

O curso de bacharelado em Ciência da Computação foi criado em 1976 e começou a funcionar em 1977 ainda enquanto Universidade Federal da Paraíba (UFPB), sendo um dos primeiros cursos formadores de profissionais em informática do país. O primeiro projeto pedagógico do curso foi atualizado em 1999 com efeito em 2000.1 e a última atualização entrou em vigor em 2018. Em 2002 teve origem a Universidade Federal de Campina Grande (UFCG) a partir do desmembramento da UFPB, com os campus de Campina Grande (sede), Patos, Sumé, Cajazeiras, Souza, Pombal e Cuité. Com a implantação do REUNI em 2007 a UFCG aumentou progressivamente o número de vagas ofertadas no curso, e hoje tem-se duas entradas de 90 vagas cada uma. Um outro fato histórico relevante foi a mudança no processo seletivo para entrada na universidade que a partir de 2011 passou a usar somente o ENEM, tendo aderido ao SISU em 2014. Atualmente o curso possui em torno de 750 alunos ativos e mais de 1000 alunos graduados.
Destaca-se ainda como um curso de excelência pelo MEC, através do ENADE, e recebeu a avaliação máxima do Guia de Estudante da editora Abril por mais de 10 anos, até 2018. Em 2019 no ranking da Folha de São Paulo , foram atribuidas 5 estrelas e o 13 lugar entre os melhores cursos do Brasil, e recentemente em 2020 pelo ranking do Estadão o curso foi classificado como um dos 9 melhores do país. A partir desse contexto, vamos iniciar analisando a entrada no curso desde 2000.1 até 2020.1.

Quantas entram no curso?

A princípio, é importante observar quantas mulheres entraram no curso ao longo dos períodos. Para visualizar o ingresso geral dos alunos no curso, foi analisada a quantidade de homens e mulheres que entram a cada período.
A partir dos dados explicitados, é possível obter a média percentual de ingresso feminino, que é de 16,11%. Desde 2007 houve a implantação do REUNI, programa que aumentou progressivamente o número de vagas ofertadas no curso, o que justifica o acréscimo no número de ingressantes. De 2007.1 até 2020.1 houve um aumento de 0,8% no número de mulheres ingressantes no curso. Vale ainda ressaltar que como os reingressantes não foram descartados para os estudos, pode-se observar que a partir de 2017, quando as regras para "limpeza" de currículo foram estabelecidas, a quantidade de alunos ingressando no curso diminuiu levemente se comparada de 2012 a 2016.

Quem entra no curso?

Após analisar a quantidade de ingressantes no curso, é fundamental analisar quem são as mulheres que ingressam. Para definir os ingressantes foi considerado os dados sobre raça autodeclarada, nota de ingresso, tipo de cota utilizada e idade.
As raças são autodeclaradas, ou seja, o aluno que deseja ingressar na universidade informa sua raça ou não, caso seja cotista, a autodeclaração do candidato goza da presunção relativa de veracidade, devendo ser submetida à validação de Comissão de Validação da Autodeclaração da UFCG para receber devida comprovação e assim ingressar na universidade.
Analisando os dados raciais podemos notar que apesar da maior quantidade de mulheres ingressantes serem brancas e pardas, a diversidade de raças vem aumentando com o passar dos anos, mais mulheres pretas e amarelas tem entrado no curso. Além disso, o número de mulheres com raça não declarada zerou nos últimos 5 anos.
Nos anos 2000 era utilizado o vestibular como forma de ingresso na universidade, a prova era realizada anualmente, em duas etapas, cada etapa durava dois dias, sendo intermediada pela UFCG e a partir de 2011 a universidade passou a adotar o ENEM como avaliação de ingresso, prova realizada uma vez no ano durante dois dias por intermédio do MEC em todo o país. Ambas as provas tinham pontuação média máxima de 1000 pontos, o que não interferiu na visualização dos dados.
Considerando o desempenho das mulheres no vestibular para ingresso no curso, é possível calcular a média de notas das mulheres, que é equivalente a 629,24 pontos, sendo bem próxima da média geral de notas de todos os alunos, que é de 629,82 pontos.
As cotas remetem para um tipo de política de ações afirmativas para diminuir as desigualdades socioeconômicas e educacionais em uma sociedade. No Brasil, a Lei de Cotas foi aprovada em 2012 e previa que até 2016 todas as instituições federais de ensino superior e técnico deveriam destinar 50% das vagas a estudantes oriundos das escolas públicas. Esse percentual deveria ser dividido da seguinte forma: 25% das vagas para estudantes oriundos da rede pública com ensino médio completo e renda igual ou inferior a 1,5 salário mínimo e 25% para aqueles com renda igual ou superior a 1,5 salário mínimo. Nessa divisão ainda seria destinado um percentual para pretos, pardos e indígenas, conforme o último Censo Demográfico do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
Considerando o uso de cotas pelas mulheres do curso, é possível analisar que a maior parte das cotas utilizadas pelas ingressantes são as cotas de “Candidato autodeclarado preto, pardo ou indígena, com renda familiar bruta per capita igual ou inferior a 1,5 salário mínimo que tenha cursado integralmente o ensino médio em escola pública”, além disso, podemos notar que as mulheres que ingressam no curso tem diferentes tipos de cota, incluindo, ao longo dos anos, mais mulheres de diferentes origens.
Quanto a idade das ingressantes, a maior parte das mulheres do curso ingressaram com 18 anos, o que representa 32,38% do total de mulheres ingressantes durante os últimos 20 anos de curso. Entretanto, há extremos, como mulheres que ingressaram com 17 e 39 anos, cada uma representando apenas 0,2% do total de mulheres ingressantes.

Qual a situação acadêmica até então?

A situação acadêmica envolve o “status” de todos os alunos do curso a partir de 2000.1 até 2020.1. Cada boneco na visualização significa 1% do total de alunos, logo a porcentagem está arredondada para se adequar a visualização. Estão representados os alunos que evadiram (que saíram do curso antes de concluí-lo), os alunos graduados, os alunos regulares (que ainda estão cursando a graduação) e os alunos reingressantes (que saíram do curso e retornaram com nova matrícula).
Quanto à situação acadêmica das mulheres, foi possível analisar que a taxa de conclusão das mulheres é de 26,68%, ou seja, nos últimos 20 anos se formaram 131 mulheres. A porcentagem de mulheres que se formam é muito próxima a porcentagem dos homens cujo valor é 27,36%. A taxa de evasão de homens e mulheres é praticamente igual, tendo os homens 37,52% e as mulheres 38,49%. A seguir vamos analisar especificamente a evasão das mulheres.
A evasão escolar é um problema que envolve fatores pessoais, sociais, econômicos e institucionais. Tais fatores estão fortemente interligados, o que torna o problema ainda mais desafiador. Por exemplo, é possível que uma aluna abandone o curso tanto por questões pessoais (não se identificou com a área) quanto por questões financeiras (precisa trabalhar para se manter ao longo do curso e não consegue conciliar as duas atividades). Existem vários estudos que analisam os fatores mais relevantes e como atuar sobre eles, inclusive no âmbito da UFCG. Considerando os fatores institucionais, no regulamento Nº 26/2007 UFCG/CSE são listadas os tipos de evasão, dentres estes, os que foram observados nos dados analisados incluem: Cancelamento por abadono , Cancelamento por reprovação por falta , Cancelamento por reprovação , Cancelamento , Cancelado novo ingresso outro curso , Cancelamento por mudança de curso , Cancelamento por decisão judicial , Transferencia para outra instituição de ensino .
Podemos notar que o abandono do curso é a maior causa de evasão das mulheres, com 33,33% do total de evadidas. Logo após tem a evasão por reprovação, dessas a mais frequente é a reprovação por faltas com 23,81%, em seguida a evasão por 3 reprovações em uma mesma disciplina, com 22,75%. Nesse último caso, a aluna ainda pode recorrer com um processo que, caso seja negado, leva ao cancelamento da matrícula do aluno.

Então...

A proporção de mulheres que ingressam no curso é pequena quando comparada a dos homens. Essa é uma realidade sobre a qual atuamos diariamente e isso pode começar por você, aluna de computação@ufcg, falando sobre o curso, suas experiências, as oportunidades a que tem acesso e ainda terá após formada. As dificuldades são naturais e podemos superá-las.
O segundo ponto observado é que o gênero não é fator determinante para ter sucesso no curso, o que podemos perceber pela taxa de conclusão das mulheres que está dentro da média observada no curso para todos os alunos. Isso é uma escolha!
Como disse Marie Curie, "Na vida, não existe nada a se temer, apenas a ser compreendido".

Banco de ideias

Que Raio-X você gostaria de ver sobre a participação de mulheres no nosso curso?
O banco de ideias tem como objetivo ser um espaço aberto para contribuição da comunidade acadêmica sobre a continuidade do Raio-X. O Elas@Computação enquanto organização iniciou esse projeto e pretende realizar novas análises de dados sobre a participação de mulheres no curso. Para isso, é importante a participação de todos a respeito de melhorias e aprimoramentos que podem ser realizados no futuro. Para contribuir com o futuro das análises do Raio-X, acesse nosso Banco de ideias e crie sua issue no github com sugestões. Acesse todos os dados utilizados nas visualizações e as estatísticas apresentadas nesta análise e contribua com o nosso banco de ideias: